30 de julho de 2008

Acorda amor

- Acorda, amor! Acorda!
Calma, calma, logo menos ele acorda.


- Acorda, amor! Amor? Acorde amor!



- Não vai acordar.
- Vai acordar!


- Amor? Amor? Amor? Acorde, Amor!



- Amor!
- Amor! Acorda... Acorda. Acorda ...

- Não está respirando. Não vai acordar.



- Amor!





- O amor está morto, e pelo jeito já faz tempo.

17 de julho de 2008

Você me pede
Que eu peça
Mais um r
Pra que vire
Pressa.
Com os cotovelos no balcão
Eu procuro nos bolsos
Entre os vãos da mão
Entre o vai não vai
De ir.
Já foi.
Procuro
Com o peso do sorriso largo
Os caninos ao sol
Procuro tempo e só acho temporal
Procuro vento, mas só tenho vendaval
na minha janela.
Três tiros de canhão
Com velas de cânhamo
Com três pregos no caixão.

Colores

O branco pobre
Com a preta rica
Dá uma cinza...
(mais ou menos).
O amarelo genial
Com o verde níquel
Faz pratas de fortuna
E todos pintam de vermelho
O castanho claro babylizado.
Aquele ruivo
Cuida por adoção
do marrom vadio
vestido de branco
(por precaução)
(ou preocupação).

11 de julho de 2008

O dia depois de anteontem

(...)

O velho Vinicius de Moraes dizia que pra se apaixonar basta estar distraído.
E se tem alguém que entende de amor, perdão para os Los Hermanos que são só garotos barbudos, esse cara é o Vinicius.

Você que também entende das coisas que me diga agora... Quem nessa vida não quer se apaixonar? Acho justo, pela condição. Não acha?

Apesar do clichê evidente só não deve ser bom ter pressa.
Como alguém pode se distrair tendo pressa? Não tem jeito.

(...)

9 de julho de 2008

Tédio

O tédio é terrível.
Uma pessoa entediada é um frasco vazio, que ganha nome do que colocarem dentro.

1 de julho de 2008

Quase perto

Sim, aconteceu finalmente, estou completamente apaixonado.
Conheço por hora pouco do que é dela, as variações de seu nome, a cor exata dos seus olhos ou cabelos.
Mas estou completamente apaixonado.
Não vejo a hora de descobrir seus gostos, suas coisinhas, suas memórias, seu passado que não tem nada de meu, suas manhas de amor.
Meu novo grande amor sem rosto por certo não vai gostar de cigarro, de atraso e de sapato sujo, mas isso não tem jeito, vamos certamente nos entender.
Ela, por ser a próxima, é a melhor das personagens que já vi, e conto as horas pra começar a construí-la.
Só falta definir o que é mais original, começar o texto pelo fim ou pelo começo.

14 de junho de 2008

Sensibilidade

Sensibilidade está perceber questões explícitas o suficiente ao ponto de não poderem ser ignoradas.

Dois gravetos

Somos dois completos quase-incompetentes, dois putos arrogantes e preguiçosos, gravetos da mesma árvore que está fadada a crescer ao contrário.

22 de maio de 2008

Trompete-cabeça

O homem tem um trompete na cabeça. Não na cabeça, mas no lugar dela.

Incrível, mas os pistos apertam-se sozinhos. Não é incrível?

Enfiado com a parte de soprar pra dentro da blusa, exatamente onde estaria uma cabeça, o trompete aponta pra cima quando ele está trabalhando, e o homem inclina o trompete-cabeça quando quer cochichar.

Seus conhecidos são todos magérrimos, esguios, sem roupa e sapatos ou sexo, altíssimos e de apenas olhos grandes e pretos arregalados em todo o rosto, e fazem círculo em volta e silêncio quando ele fala com entusiasmo.

Respostas

Queria poder querer procurar respostas pra comprar, daquelas rápidas, confusas e prontas pra usar.

Contato

Quando os olhares alinharam-se de maneira imprevista e profunda pela primeira vez confesso ter faltado ar. Procurei entre infinitas referências aquele algo único e especial, que deveria flutuar para ela entre os dois ou três segundos próximos, um combinado de palavras que de tão justo não haveria como substituir por nada que fosse dito com calma depois.

O não verbal da mistura de expectativas e sensações provável disse algo pela sua própria conta, de maneira imperativa, atravessando a casca até então firme.

Pessoas sabem de referências, de autores, de música, de generalidades, mas não é domínio de qualquer ser humano a faculdade de construir deliberadamente a mensagem de um contato intenso de olhos, a troca perto do sobrenatural onde é possível tocar por um instante, mesmo que com a pontinha do indicador, as águas claras das profundezas do vivo.

13 de maio de 2008

um itálico
se faz de são.
cambaleia. .. .
chega a tocar o chão. ... . ..
mas
n
ã
o

cai.



Não cai?



Não.
Nunca?
Não.

ANO ZERO

Com as poucas palavras que se espremem para sobreviver ao espaço mínimo do meu vocabulário, tento escrever.
No entanto, num misto de rejeição, vazio e maldade (aqui encarado como algo natural, próprio da natureza caótica e inconsequente de tudo o que é sensível), esssas pequenas tentativas de se manifestar não encontram refúgio, nem auto-estima suficiente para concentrar forças a ponto de esboçar ou sugerir algo que realmente valha a pena. No meu caso, que valha a tinta.
Não tenho medo de escrever bobagem - ao contrário.
Me surpreenderia se, por acaso, esse amontoado de rabiscos traduzissem o que se passa no meu estômago.
( Morte ao coração!)

Inicial

Ando neste tempo novo conhecendo, discutindo forte e falando conclusões temporárias como verdades absolutas pra pessoas que acabei de conhecer.