10 de agosto de 2009

Será?

O que será verdade neste mundo de mentiras?
Será que o amor é de verdade, quando só existe mentiras?
Será que o amor é de mentira, quando só existe verdades?
Será que o amor é verdade e mentira?
Ou será essa mistura a verdade do amor.
Será que amar é soltar, quando a vontade é prender?
Ou será prender quando a vontade é soltar?
O amor é prisão ou ilusão?
Prisão é a ilusão do amor?
Ou amor é a prisão do amor?
O amor preso não consegue viver,
O amor solto consegue amar?


Por Alcione dos Santos Fernandes Costa
A Ordem dos Templários – Legião Urbana

Tum Tum
Panum ni
Pananim
Num num

Tum Tum
Panum ni
Pananim
Num num

Tum Tum Tum
Fraaaaannnnn!!!!!


(Fan fan fim)
Tum Tum pá
(fan fan fim)

Tunana
tunana

Pim pim
Pinin
Num nanan

Pim pom pim pom pan pan

Pum pim pim pom pom pom
Pim pom pum pã
Pin nim nam nam nammmm nam
Nem nem nem na...

Pim
Pum pim pim pom pom pom
Pum pim pim pom pom pom
Pan
Pan
Pim
Pim




Pom



Pim


Tan tan

Pimpompimpom

(repetir 3 x)

6 de agosto de 2009

Entre janelas num fim de tarde de chuva

Após muito tempo tornou àquele lugar, e nesse exato momento contemplava, de um jeito um tanto irônico, a chuva que caía. No fundo procurava esquecer seus problemas e buscar uma quietude natural ao meio. Era agradável assistir a chuva, ainda que longe de casa, mas sentia muita falta de certas coisas que não tinha posse e tampouco podia dominar como algo palpável. Lidava com suas emoções mais profundas, aqueles que aparecia confinada no seu íntimo e que, nos últimos tempos era extremamente fácil de lidar.
Já não tinha paciência para certas coisas, de modo que, o que lhe restava era somente um desprezo involuntário por tudo aquilo estabelecido. Não se configurava em nenhum momento naquilo posto como natural, ou naturalizante. Achava ainda que era necessário romper com tudo aquilo, a partir do próprio meio, com as ferramantas fornecidas e que seriam, naquele momento, as únicas disponíveis. Escrever era uma delas.
Saiu da sala quando a chuva já engrossava, as gotas de chuva pareciam mais pesadas. Não o sentia porque prefiriu sentar e continuar a observar, desejando, mais do que qualquer coisa, um mp3 e um cigarro. Aquela visão do cinza lhe atraía, sobretudo os tons de branco, ou quieto. O branco tem essa poder, inspira paz, inspira o silêncio, inspira tudo aquilo que buscava de algum jeito. Via uma mensagem naquilo tudo, um lembrete ao que viera e buscava. Tem algum objetivo em mente, de um jeito de tentar chegar ao ponto comum.
Voltando à chuva, sentia que essa quietude era uma das poucas coisas que faziam as pessoas pararem, ou pelo menos tentando fazer parar. As vezes trágicamente, a chuva era antes água e a água quando represada adquire uma força incrível quando enfim livre. Besteira, já tinham escrito isso muitas vezes, essa metáfora da água era por demais manjada, clichê, palha. No fundo, o que desejava com aquela chuva, vendo aquela chuva, era a certeza, um tanto idealizada, de conseguir ir aonde queria, quando queria. Naquele momento ouviu os pássaros, quero-queros. Pensou nesses animais que territorialmente se defendem. Mas que podiam ir aonde queriam, talvez até voavam. Males da modernidade: o virtual é mais palpável ao nosso cotidiano do que o simples fato de perceber o que se passa na natureza ao redor.
Nesse momento concluiu, satisfeito, que tinha a incrível capacidade daqueles dias assolados pela cegueira da visão, do excesso de luz que cega implacavelmente e que nos impede de perceber o que se passa ao redor. De repente, as luzes se acenderam, e o tom de cinza do céu de chuva dava lugar ao azul escuro da noite. Tentativas de lusco-fusco em pleno inverno inter-tropical. E permaneceu, ainda perplexo, com a bizarra conclusão de que não precisava, naquele momento, daquelas coisas que mais desejava.

23 de julho de 2009

Gota a gota, saudade

Melodias, cerveja, boteco
Lágrimas, severas escorrem
Lua, estrela, noite escura
Solidão, saudade, tristeza.
As lembranças voltam a memória
banho, perfume, lingerie
E a lucidez some, perfumada com a
peça íntima da cor que ele gosta.
É impossível ser sensata neste momento.
Momento que sinto sua mão descendo minha peça.
Pé no chão, olhos abertos, saudade.
Boteco,cerveja, melodias.
Violeiros, poetas, cantorias.
Olhos fechados, o corpo fica, a alma voa. Corre, corre.
Pára, escuta meu coração bate forte, chora, saudade.
Cerveja, boteco, melodias
Vontadede estar nos seus braços de me sentir mulher
Afogo a saudade neste copo e mesmo assim não tenho
teu corpo
saudade...cerveja
Sinto que o efeito já se faz, sua imagem não some.
Mais cerveja?Não.
Não adianta a saudade fica, as lembranças não se apagam.
Pé no chão, fica pé, fica!!
Ele partiu
Boteco, melodias, mais cerveja.
Mais cerveja, boteco, mais melodias
Lembrar eu posso, sentir saudades eu posso,
sentir vontade, eu posso.
Eu posso tudo que me coração sente ,
pois minha cabeça não comanda meu coração
- Ó coração tenha pena da minha alma
- Não. Não posso, sinto falta dele.









Alcione dos Santos Fernandes Costa

21 de julho de 2009

queria falar alguma coisa
e nem eu sei o que é.

mas fiquei tão satisfeito
de não falar nada

parece que no silêncio
eu encontrei a palavra
que nunca foi falada.
A poesia é para os esquisitos
Para o NÃO
Pra quem não se esquece nesse mundinho todo quadriculado
Pontinhos em preto e branco
Que de longe


Lá de longe


quando tudo se mistura
Eles conseguem perceber.



Fica cinza.

14 de julho de 2009

De certo modo

"Dizia que se fazia o que se não dizia
tampouco se dividia ao dizer o que não fazia
mas que ainda assim deixaria o que jamais faria"


Acho que de certo modo, ainda dizem que a estética é o que rege todas as coisas. No fundo talvez seja razão, ou talvez um motivo para continuar a escrever. Mesmo assim, desse jeito um tranto troncho de escrever talvez saiam as pseudo-nadas de pseudo-tudo, quiçá fontes de inspiração ocultas, mantras secretos e revelações ainda não descobertas por aqueles que deveriam revelar.

Andshebuyinginthestairwaytoheaven.
Volto pra ficar um tempo
Um tapa
Talvez, um mapa pro meu próprio caminho
(quem vai saber?)


Volto pra ser
Quem nunca fui
pra nunca estar
tão cansado de me esperar
porque sei,
mais do que ninguem
que nunca estou tão afim assim
de me encontrar.
Daqui sinto o cheiro de borracha
o freio queimado
que quase arrebentou
de alguém
que quase pulou.
mas lá, no ultimo passo...


ainda carrega como tatuagem
aquele “quase” feito cruz,
e a cegueira de momento,
como o grito seco
implora pra fechar a fresta
na ultima porta

no castelo dos destinos cruzados

tão cheio de ventos carregados de ventos
insistentes em te abrir.

13 de julho de 2009

hiato criativo

um hiato criativo é como não conseguir gritar mesmo fugindo de um lobo aborrecido num chão de madeira muito encerado calçando só meias

12 de julho de 2009

Mientras ella iba...

Llegué, pero nada dije. Un largo silencio se ha establecido hasta que ella miróme y dije:
- y ahora?
Sin reacción, miré para bajo, y ella volvió a hablar:
- que quieres tu que pensé yo de todo eso?
En aquel instante cortito percibí que lo existía si, de facto, una referencia, un sentido para aquella charla que otrora amable se hay ido. Y memorando me de aquello que un día había sido, y donde venia toda la tristeza de su ojos...
Ella se fue, sin reacción cualquiera. De mi sueños tenia ahora la memoria, lo recuerdo del legado, único legado cierto, de ya posarla, en algún momento de mi vida. Eso carcomía me, incomodaba me, pero no fue aislado. Mientras ella ya, percibía yo la inmensa voluntad de volver, pero no tornó ella a mirarme, simplemente se iba, caminando y de un caminar tan compasado, daba me la certeza que no estaba tan tranquila cuanto parecía.
Sentí una súbita voluntad de correr y abrázala, pero no podría, no tenía alguna moral para decir le o que pensaba yo acerca de ella. Sentí me en un gran vacío, al pensar eso. Ella caminaba, y caminaba. En un paso muy largo, hacia lo camino por demás tortuoso en mi memorias, mi recuerdos. Y todo se ha ido, simplemente lo fue. No tenía más nada a hacer. Fue traído cuando en fin despierto...

9 de julho de 2009

Valer a pena

Valer a pena
É não querer só porquê se quer

É ter mais medo
De atrasar, da barriga, até do olhar
Do bonito, forte e fundo olhar da mulher

É quando compensa
De longe
O conforto egoísta da descrença

É quando queima

Quando se sorri
Da birra
Da groselha
Da teima

É um desencontro bom
É macio

É um viver inteiro
É viver completo
Viver porquê se quer
Atrás dos caprichos de uma única e rara mulher

Pois se enrolar portanto, se consumir
Se perder de sorrir, se morrer a procurar
Encantos nos cantos dos seus quês e talvezes

Como um amor
Como nos amores

Que não têm
E nunca vão
Dar pé

6 de julho de 2009

Mojito

uma dose de rum branco, uma colher de açúcar, suco de um limão, dois dedos de água com gás, um ramo médio de hortelã amassado com o açúcar e o limão

"Aperte bem o hortelã em suas mãos, pois pra ficar bom o mojito tem que amassar as folhas com o açúcar e o limão."

5 de julho de 2009

vidavelha

A vida só se dá por amor, poesia, álcool e tabaco.

2 de julho de 2009

amarelo

eu
amarelo
anemico
atonico
amarelo de tao atonico
tonto de tao calmo, feliz de tao estupido
amarelo de tao anemico
anemico
atonico
amarelo
eu

24 de junho de 2009

Insônia...

Dormir, era o que ele queria. Porém ouvia latidos a distância, ininterruptos, constantes, de um animal adulto talvez, a julgar pelo som grave. No fundo não entendia nada de cachorros, mas sabia que aquilo incomodava, e isso era tudo. Além disso, havia o vento com chuva, ou seria chuva com vento? Que açoitava incessantemente a janela, outro barulho, outra distração. Pra completar, ainda havia a própria respiração! Queria sumir, mas achava que até nisso haveria barulho em algum momento.
Já não se lembrava da última vez que conseguiu enfim dormir tranquilo, se é que isso existe. Dormir tranquilo no sentido de ter uma hora fixa para enfim dizer “agora vou dormir” ou então “essa é a hora de deitar, boa noite!”. Não, seus dias tem sido intercalados com leituras até altas horas, quando não uma aventura dentro de uma filosofia de buteco, dessas que ou se presencia ou se cria mesmo não estando num, preferiria a última, por via das dúvidas. Assim resumiam-se suas noites, ao menos as últimas. E ainda achava que isso seria bom, do ponto de vista da escrita, mas ainda assim havia quem dissesse que aquilo fazia mal a pele.

O de sempre

Derreter memórias

E fazer
Então
Delas
Um belo colar

Daqueles
Daqueles que
Daqueles que duram
Duram
Duram
E duram.

Pra sempre?
Pra sempre.
Jura?
Juro.

19 de junho de 2009

O que me cerca

Nesse exato momento, um quarto com coisas velhas e outras nem tanto velhas porém desorganizadas. Parece que um tornado extra-tropical passou por aqui, quiçá um acampamento de guerra ou coisa do gênero. Papéis espalhados, roupas, calçados, coisas, dinheiros, documentos, aparelhos, fones de ouvido, cinzeiros tomados emprestados de boates, coleções incompletas, recordações de momentos bons, bilhetinhos, resquícios de xícaras de café, tubos com materiais subversivos, músicas de artistas falidos ou não, pra falar o mínimo. As únicas coisas que aqui seguem uma certa organização nesse espaço são os livros, os que estão na caixa blindada e aqueles que repousam sobre a prateleira empoeirada, livros sobre viagens, sobretudo. Diários sobre viajantes, profetas falidos, contos indecorosos, situações do cotidiano, bíblias profanas, dicionários alternativos, gramáticas não-patrícias, obras sobre transposição cultural. É um mosaico interessante, pra falar o mínimo desse lugar que também abriga uma cama, alguns cobertores e uma pessoa que invariavelmente habita esse espaço nem que seja para dormir, tomar um café (como nesse momento), ouvir uma música de qualidade na companhia de seus amigos (que são imaginários, a grande maioria) e ainda, desfrutar de um belíssimo conhaque, oferecido pelo bar. O bar esteve mais bem servido anos atrás, porém, aos poucos seus clientes foram embora devido à crise econômica, mas há planos de se implantar um coffee shop, plano antigo, é verdade, mas que ainda não saiu do papel.

12 de junho de 2009

Amor de plástico

- Você me ama?
- Sim, muito.
- E porquê nunca diz?
- Eu esqueço.
- Então diga agora.
- Ué, eu te amo.
- Mais entusiasmo...
- EU TE AMO!
- Tá. Lembra de quando nos conhecemos?
- Sim, claro, muito.
- Tantas mulheres, como me escolheu? Sinceramente.
- Sinceramente? Olha, era a mais bonita, e tinha um belo par de pernas.
- E agora? O que te faz ainda estar comigo?
- Continua a mais bonita, e com pernas ainda mais bonitas.
- Obrigada, amor. E o que mais?
- É difícil encontrar uma mulher com um belo par de pernas que não vê a grosseria e a estupidez por trás de minhas sutilezas.

31 de maio de 2009

Piadela

Aposto que era um gracejo, pois ele afinal não era religioso, tampouco místico ou supersticioso, e obviamente sentia-se superior por isso, feito todos os céticos, os universitários inglesinhos, os modernosos e os vanguardistas, que estão na camada acima das crendices populares, dos ditados, dos chás de ervas pro figueiredo e do horóscopo.

Então, logo depois de descarregar as coisas, acendeu um cigarro e foi encontrar um grupo de conhecidos, e tão logo quanto ganhou a luz fez tom de solenidade, ajoelhou-se, calculou de prévia mais ou menos o que iria dizer em segunda pessoa pra não tropeçar nas conjugações, empostou a voz e levantou os braços:

- Ó deus, tu que és piadista, rancoroso e vingativo, que tens poder criador e matador sobre a terra, que tens controle sobre essa nossa colônia de formigas, que brinca de dilúvio, que tens o fogo nas mãos, espada branca e canela fina, que tens enorme barba e entendes tudo de biologia, de Hegel, matemática e filosofia moderna, ouça minhas humildes e rústicas preces, que imploram vossa autorização pra que eu me divirta uma noite só, só essa, só hoje. Uma.
Autorizo-vos a cobrir com as trevas que vos dá tanto divertimento todos os próximos dias da minha vida depois dessa noite de prazer.

Depois concluiu, só de sacanagem, com "juro por deus."

Meia hora foi o tempo de demorou pro primeiro trovão, e sem nenhum exagero, choveu de enroscar carro e entortar guarda-chuva por seis dias, sem qualquer intervalo.

Cada classe de coisas que havia, pouco ou muito, molhou; bolo de cenoura, cabelos de Bowie, organizadores, roupas, cabos e mesas de som, decorativos e romances, e como não estavam na década de 70 o festival acabou tendo que ser cancelado.

19 de maio de 2009

Alter Tango

Nas noites quentes
Da sorridente cidade
Memórias te procuram
Invadem os bares
Vasculham os belos pares

Como se fingir fosse perder
Seguro só

Algo que não se pode ter
Só seguro

Pelos cabelos

Repouso, calmo
No eterno zelo

Discreto...

De seus pêlos

24 de abril de 2009

Inês-plicável

Numa de tropeçar
Acabou que caiu
Caiu em mim
Com mãos de lenda
Nos braços a maior vista tempestade

Disse querer algo que não se pode ter
E eu então-portanto,
Tampouco,
Posso dar.

Noutra de partir se foi
Tanto faz, só se foi
E sem despedida.

Foi?
Foi.

21 de abril de 2009

Mais um tango, e outro trago

Me leve, mas não assim, só pela mão
Pois agora beibe, pra fazer, sobra pouco
Perodeixa, deixa de e pra todo-tanto acaso
Arrisco, sorrio, finjo, ouso dizer que vá
E digo mesmo, pois que suma!
Que voe, talvez volte
De propósito
Insisto um tanto faz
Pra hoje ainda aguento
Mais um tango, e outro trago
Embora amanhã?
Sim, embora, amanhã eu morro.

18 de abril de 2009

E a noite insiste

Por trás do copo
Vejo que lutam
Uma dançarina
O Papa
E um porco cor-de-rosa

9 de abril de 2009



A janela e os desencontros


A vida é, na verdade, a arte de endurecer.

Que venham os desencontros, todos, até de uma vez, pois em casa de malandro vagabundo não põe a cara na janela.

Puto, fica com a janela pra você.

19 de março de 2009

Sugira o título pelo comentário

Sim, são sonhos
Mas não
Não, não mais
(mais)
Não mais meus

Agora com essa calma
Do rei, do bedel, também juiz
Em faz-de-conta que termina assim
Vou Joãozinho
Esquecendo sem querer
Cada memória
Pelo caminho

25 de fevereiro de 2009

Tão logo quanto comece a noite

Sei que tão logo quanto comece a noite você vai voltar.

Tivesse me feito chorar

Você disse que iria comigo ouvir choro, portanto, me deve um choro.
Chorar é uma prova de que se está vivo, que tem motivos, que ainda não secou feito os que andam secos por aí, vivendo de maneira tão impessoal, beijando e apertando mãos por vaidade.
Queria que tivesse me feito chorar.

3 de fevereiro de 2009

mais luz?

a certeza da certeza faz o louco gritar, o grito!

18 de janeiro de 2009

PUTAQUEPARIU DE MERDA DO CARRALHO CUZIDO

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MAIS LUZ

6 de janeiro de 2009

Apendicite aguda.

Do meu peito
Nascem braços
(um de cada lado)
onde brotam dedos
reféns do meu apego
ponto final do meu corpo
com cinco pedacinhos
que crescem devagarinho
pra levar á minha boca
aquela carne moída.

Na falta dela
vai unha roída.

16 de dezembro de 2008

Um beijo e um queijo
Um beijo, goiabada.
Dois beijos, Romeu e Julieta.

11 de dezembro de 2008

Hoje quero tudo que hoje pode me dar.

Hoje quero tudo que
hoje pode me dar

hoje quero a noite,
as bruxas voando em vassouras
versos pequenos e secos de poções
com cenouras,fábulas, tomates,
e
mais água no meu feijão

hoje crio a cobra que
me envenena.
que me faz doer

E eu grito,
até pelo simples motivo de gritar,
de rachar. eu me abro.

(um pequeno espetáculo de me ver por dentro,pela garganta,
o que há atrás do meu sino)

hoje, ao mesmo tempo,
crio a cobra que me cura.

Hoje eu não quero
nada mais que
vinho, chocolate e
motel.

não, não quero
figas por mim.

hoje quero ter a possibilidade
de morrer

e não querer.

8 de dezembro de 2008

No Bar

No bar um bêbado uma vez me disse:

"De todos os times que disputam o campeonato brasileiro, 10 são paulistas e 1 é campeão"


Nada mais certo...

7 de dezembro de 2008

Dois Futebóis

O são paulo é mais uma máquina de repressão burguesa, de tendência ultra direitosa e coligada com a esquerda canhoteira. Jorge Wagner, por exemplo. A esquerda é dele.

Um Futebol

Os condomínios fechados
os carros do ano,
do patrões
exibem orgulhosamente
a bandeira do São Paulo Futebol Clube.

Para Waler.

“- O que é que você quer ser quando crescer?

- Poeta polifônico.”





Esse é o poema chamado “Desejo & Ecolalia”, publicado no livro “Algaravias” em 1996 por Waly Salomão. A polifonia poética nos foi apresentada, creio que pela primeira vez, pelo Mário de Andrade lá no seu “Prefácio Interessantíssimo” em 1921.

Para Mário de Andrade, o verso polifônico seria o oposto do verso melódico: “A poética está muito mais atrasada que a música. Esta abandonou, talvez mesmo antes do século 8, o regime da melodia quando muito oitavada, para enriquecer-se com os infinitos recursos da harmonia. A poética, com rara exceção até meados do século 19 francês, foi essencialmente melódica. Chamo de verso melódico o mesmo que melodia musical: arabesco de vozes (sons) consecutivas, contendo pensamento inteligível. Ora, si em vez de unicamente usar versos melódicos horizontais (...) fizermos que se sigam palavras sem ligação imediata entre si: estas palavras, pelo fato mesmo de se não seguirem intelectual, gramaticalmente, se sobrepõem umas às outras, para a nossa sensação, formando não mais melodias, mas harmonias. (...) Mas, si em vez de usar só palavras soltas, uso frases soltas: mesma sensação de superposição, não já de palavras (notas) mas de frases (melodias). Portanto: polifonia poética.”



Extraído de http://www.cronopios.com.br/site/ensaios.asp?id=3693

25 de novembro de 2008

Ao Velho Buk

Ninguém mais aturava o que ela dizia naquele momento. Tudo o que eles queriam eram um pouco mais de ação. E ação era ainda conseguida através de muita expressão, ou ainda, o reflexo dos outros ou do contexto.
Naquela noite ele pensou em um refúgio em mais um bar, mas o que fazia ele por lá? Um emprego fixo? Pra quê? Nem ele sabia. Um futuro tranqüilo, uma casa, um carro? Não existe... E ele se perguntava ainda o que fazia naquela aula.
Descobriu a literatura maldita, e com ela a expressão pré-fabricada de uma sociedade aparentemente livre. Onde? Não quero falar mais nesse ponto, vamos aos fatos...
Um belo dia estava lá, no mesmo lugar, sentado no mesmíssimo canto da masmorra, o canto frio da sala. No fundo, não queria estar lá, mas estava. Enquanto ela dizia, lia se perguntando, “alguém não faz nada?”. E continuou a ler o maldito do momento, Bukowski. À sua frente, um outro pobre diabo lia, na mesmíssima posição, alguns lugares a frente. Nesse ponto, ela notou a estranha atividade e disse:
- Se não está aí, então não ganha presença.
E os outros se viraram para ele, que lia também. “Que se foda” pensou em imediato, “que resta ler o Édipo Rei, se minha vida tem muito mais em comum do que isso?” concluiu refletindo sobre o livro. E ficou lá, lendo aqueles contos malditos.
“Então gente, nessa passagem da página 82 o Édipo encontra o Creonte...”
“Pro inferno com tudo isso!! Tudo porque o cara comeu a mãe!” continuou na sua reflexão, “que se foda!”. E assim preferiu o velho Buk: “... quando a gente é bêbado, tem que ter sorte, e quando não é, também tem que ter”. Gargalhou com tudo aquilo, naturalmente. Olhou em volta, tudo aquilo não fazia o menor sentido, a menor indicação. Era só um meio de matar o tempo, sem beber, fuder ou ainda ver o mato crescer (Buk diria ver os patos, que só grasnam e cagam, porque comem de graça).
Nesse instante que gargalhou diante daquela desgraça, novamente tornaram a lhe observar. “Mas que se foda!”, concluiu pela última vez já fechando a mochila. Já passava alguns segundos das seis, e ganhava a liberdade efêmera das ruas e dos ascetas inúteis que o cercavam.

23 de novembro de 2008

Enquanto ela ia...

E cheguei, mas não disse nada. Um longo silêncio se estabeleceu até que ela me olhou e disse:
– E agora?
Sem reação, tornei a olhar para baixo, até que ela voltou a falar:
– O que queres que eu pense de tudo isso?
Naquele instante percebi que existia, de fato, uma referência, um sentido para aquela fala que outrora amável foi. E comecei a lembrar do que um dia havia ido, e de onde vinha toda a tristeza daqueles olhos...
Ela saiu, sem esboçar qualquer reação. Dos meus sonhos só restava a lembrança e depois dela sair, só tinha como legado, como único legado, a certeza de já tê-la possuído, em algum momento da minha vida. E isso é que era atroz, me corroia e incomodava. Mas contudo, isso não foi isolado.
Enquanto ela ia, percebia a imensa vontade de voltar, mas ela não tornou a me olhar, simplesmente ia, caminhando e de um caminhar tão compassado, me dava a certeza de que não estava tão tranqüila quanto aparentava. Senti uma vontade abrupta de correr e abraçá-la, mas estava desmoralizado, não tinha mais moral alguma para tentar lhe dizer o que pensava realmente sobre ela.
Me senti num enorme vazio, ao pensar isso. E ela caminhava, e caminhava. Naquele passo lento, fazia esse caminho tortuoso às minhas memórias, minhas lembranças. E tudo simplesmente foi, não há mais nada a fazer. Fui traído quando enfim acordei...

16 de novembro de 2008

Ela se foi


A tristeza bateu forte a porta.

Com a estética de quem ia pra não mais voltar saiu doída, gritando pra rua que comigo não ia mais morar.

Quis, mas já não podia, ficar triste.

Dizia me querer só se fosse pra ser inteiro, reclamou do segundo plano.

Decidiu sair logo que passei a sentir saudades, quando estava até me acostumando, gostando, até assumindo!

A tristeza talvez não goste de quem se acostuma, quer ser um incêndio no milharal.
Ela é como uma mulher muito intensa, que nunca vai casar pra não correr risco de cozinhar no morno.

Morro de felicidades, e de saudades.

14 de novembro de 2008

Divagando

Nessa tarde ele não foi a aula. Ao contrário, já sabia que o lhe aguardava e por isso não subiu. Mas o que ele tão somente encontraria? Não seria um problema de fato, se isso não fosse a solução. Encontrou um velho amigo, que não via há muito. E ao conversar, descobriu que nada mais sabia de suas angústias do que aquelas partilhadas por outros e que nada mais sabia de suas angústias partilhadas por outros e que absolutamente nada fazia do ponto de vista prático. “Nem tudo são rosas”, pensou ele diante da afirmação desolada do amigo. O tempo se encarregou de levar as virtudes mais nobres, mas não só ele. Os tempos mudaram, esse mundo que não permite mais utopias. Hoje, se um sonho existe ele é passível de crença, do contrário é mais um devaneio moderno, uma loucura motivada pelo inconsciente coletivo. E o amigo continuou:
- O lance é que todo mundo é amigo do Rei, é a Távola Redonda.
Aqueles que outrora combatiam e defendiam seus ideais, hoje procuram defender seu próprio nariz, viajar e arrotar miséria. Não faz mais sentido, o idealismo morreu. Entrar pra História e usar camisa do Che Guevara virou símbolo daqueles que fazem a luta revolucionária... Ah, conta outra! A essência é mais profunda do que isso, não tá na imagem, não tá na fala, não tá nas ações, está no pensamento!
Ninguém precisa ser do jeito que tem que ser, ou mudar, mas só não pode se esquecer quem é ou de onde é! Essa é a verdadeira essência por aqui. Acumulações são inúteis, estamos de passagem, só nos resta nosso legado, nosso próprio legado...

10 de novembro de 2008

Generalidades

O que é o pecado,
senão um recado
do recato de Deus
em voltar a ser um jovem inconsequente?

9 de novembro de 2008

Ó.

"Eu era então um sujeito perseguido pela saudade.
Sempre fora, e não sabia como me desligar da saudade e viver tranqüilamente.
Ainda não aprendi. E desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da saudade porque é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou.
Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau.
Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.
É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade.
Talvez, para nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas que será diferente.
E isso é o que todos procuramos todo dia: não desperdiçar em solidão a nossa vida, encontrar alguém, nos entregar um pouco, evitar a rotina, desfrutar de nossa fatia da festa."

( Pedro Juan Gutiérrez )

30 de outubro de 2008

O Oculto

O oculto se disfarça nos mais diversos lugares, principalmente naqueles convencionados como não-ocultos. O oculto usa fraque com cravo na lapela e fala sobre coisas que eu jamais ousei saber, porque trata-se de assuntos ainda mais ocultos. O oculto pode ser uma pessoa, ou ainda uma situação dependendo de como e onde ele se apresenta. O oculto pode ainda, apresentar-se como um estranho, oferecendo doces ou ainda um pouco de atenção, assim é o oculto. Virar oculto se tornou cultura, desperte o oculto em você.

27 de outubro de 2008

rimas bobinhas.

Uma molécula de pó
fécula de pão
uma bétula no chão
irrompe a sensação
de se star só
senão comigo
com ela então.

Since I've been loving you

A Lívia
alivia
o que Alice
alicia.

20 de outubro de 2008

Coisas que poderiam acontecer com as coisas

Os trovões nada mais são do que o barulho feito por São Pedro mudando seus móveis no céu, não é?
Numa dessas suas tardes de inspiração, a fruteira, que estava do lado da geladeira, derrapa numa das nuvens da cozinha, derrubando todas as bananas, laranjas, mangas, cenouras, tomates e alhos que acabara de comprar num feirão torra-tudo do Jardim do Éder(fechou para reformas..dizem que colocarão rampas para deficientes).
Do céu, então, cai frutas que se espatifem no chão.
Logo, uma chuva de uma semana tb começa a cair...
- É pra São Pedro limpar a cagada?
- Não, de raiva mesmo.

18 de outubro de 2008

Coisas que poderiam acontecer com as coisas

Primeiro, algumas estrelas perdendo, por alguns milhares de instantes, toda sua luz.
Não saberiamos explicar.
Luz de volta, tudo volta ao normal.
Então a lua.
Uma estranha tatuagem em forma de cotovelo estampada bem no meio da sua boxexa. Que se passa no nosso farol?
nao saberiamos explicar.
Aí uma sombra. Aqui mesmo.
Aí uma escuridão.
Da India, se via uma palma.
Da Islandia, um dedo indicador.
Austrália, mindinho.
Alguem pegou o planeta.
Com um cigarro na boca, procura um vulcão ativo.
Encontra.
bota fogo no careta
, e larga aquela bolinha em cima da mesa.
claro.
ela sai rolando e pára de cabeça pra baixo, do lado do saleiro.

É assim que poderia acontecer qualquer dia desses.

14 de outubro de 2008

ohne zurück

Naquela estranha manhã saiu, mas sem pensar em voltar. É possível que voltaria, se não tivesse esquecido a certeza de voltar.

7 de outubro de 2008

Eu, o amorzinho e os poetas românticos

Amores existem aos montes, em pilhas, em sacos. Falo em especial dos amores dos poetas românticos que escrevem belas coisas. Sentem e amam eles com tanta virtude e intensidade que apesar de apertar de tanto capricho eu próprio talvez ame pouco, ou menos.
Mas todavia, apesar dessas tantas paixões e completudes infinitas pra comparação, meu amorzinho continua sendo de longe o mais especial, mas também raso de tão rápido, e bonito, de tão pequeno.

4 de outubro de 2008

Interesses externos

Era noite para alguns. para outros, que esqueciam de acabar o dia, o sol se transformava num estalo liga/desliga do lado direito da porta.
estava deitado, trocando farpas com o piso para saber com quem ia ficar todo aquele calor. se esticava. os fones de ouvido faziam o possível para competir com o som do resto do mundo (todo vizinho tem mal gosto) e, pelo menos desta vez o jogo estava ganho.
- hã.
era o teste pra saber se nao estava surdo ou ouvindo demais.
A cada
- hã
, os fones calavam a boca. boca, agora, só falava a dele.
Era comum. Sempre perguntava:
- hã

* *

Naquele dia/noite:
- hã
- oi
- hein?
- fala porra
- mas eu to falando! mesmo sem querer, eu falei...
- não, quem falou fui eu
- hein?
- tudo bem, vou abrir o jogo
- jogo...?!
-olha, como só temos uma boca pra nossa conversa, sugiro que a prioridade seja minha...
(...)
você não tem noção da cara que está fazendo pra gente. relaxa, fica tranquilo, por nós dois.
- ... melhor?
- ô. seguinte: eu sou seu estõmago.
- putaquepariu!
- não, eu vim do mesmo embrulho que você!
- naaão...
- relaxa, foi uma piada!
(soco no estõmago)
tudo bem, sem brincadeiras...o que a cabeça anda te cochichando?
- não sei direito, ela resolveu pensar bobagem...
- é, eu to preocupado...faz o seguinte...qualquer coisa me dá um toque.
- nem á pau! toque não!
- ô caralho! as piadas ficam pra outra hora, pode ser?
- claro...
(tapinha na barriga)

1 de outubro de 2008

A Flor da Pele

Foi num daqueles dias que mais estranho que o habitual estava ele. Não conseguia se alegrar com nada, e mesmo a pequena mais empolgante não conseguiria tirar a atenção no distante intrincado que ele estava entretido naquele momento, não esboçando ao menos um sorriso. Era de fato uma pessoa por demais estranha, mas nem sempre foi assim, dizem que foi tudo por causa de um certo orgulho ferido... 

25 de setembro de 2008

Trivialidades

Açucar mascavo, Tomate e Gothan Project somados à essa manhã melancólica e saudosista.
Era isso

23 de setembro de 2008

Perguntas de Generalidades

É rôstos ou róstos ???????????

22 de setembro de 2008

zero e vinte e cinco

Minha juventude
Sou jovem.

E me lembro de ontem,
De semana passada
Quando fiz algo que gostei...

Meus cabelos vão cair
Esse é o preço da minha vida...

A cada cabelo, algo q eu deixei pra trás...

Ainda não consigo perceber o quão jovem sou
Mas já sei o quão jovem fui...

ReJuvenescer é paliativo

Juventude é droga de efeito retardado...
E só se percebe quando já se foi.

Perceber o baque
Não é pisar no breque
Nem acelerar mais.

É perceber em que pé estou
Qual a pá que me carrega
Qual o sentido de continuar andando...

Há razão pra ficar parado?
Se paro, fico preso, pulso nulo
Passo em falso
Ponte pra lugar nenhum.

Se vou
Vejo o vazio
Vide verso
Vala comum
De se tentar...

Então o que?????

20 de setembro de 2008

Dois dedos de TODO



O amor veio correndo

Oi! segura um minuto?
desculpe! posso?
puxe aqui! olha isso!
fogo, fogo, tem fogo?
ai, espere!


Desculpa a pressa
Puxou cadeira, se apresentou
Achei grosseiro fazer perguntas

Trouxe um tornado nos dentes
Marcas na pele, frases, memórias
Uma sacola de coisas

Fez-se
TODO
Chamou-me
TODO
Fez-me
TODO

Tanto quis carinho, tanto fez planos, tanto prometeu
Que deu certa hora e sumiu, sem despedida
Deixando tudo que era, agora, só meu

Assim se foi o amor
Se foi?
Sim, se foi

Sobrou um meu embriagado
E todas as velhas coisas

Que por hoje cabem bem

E me fazem

Mais

Tão...

pois quero forte


É meu, então me dê
Tapa ou beijo, tanto faz
Mas quero forte
E quero agora

18 de setembro de 2008

Bom é...

Bom é ter alguém pra passear na primavera.

31 de agosto de 2008

A música do rádio

Já passava da meia noite quando pelo rádio comecei a ouvir aquele estranho som da chuva. Aqueles eram dias estranhos, me lembro. Precisava urgentemente de uma certeza, uma resposta. Rapidamente fiquei hipnotizado com aquela melodia, jamais tinha ouvido algo dessa natureza antes pois o barulho da chuva antecedia a entrada do piano, intercalado em terças. A seguir um vocal inconfundível, não pensei em mais nada: queria descobrir o autor daquela façanha musical incrível. E ao final daqueles 7 maravilhosos minutos, descobri que se tratava (mais uma vez) de alguém que não está mais por aqui...

28 de agosto de 2008

Outros Usados

Quisera eu acreditar que não fui usado
Quisera eu acreditar que não sou mais outro
Quisera eu acreditar que eu não sou mais aquele...

Quisera eu perceber que não vivo mais na função
De alguém que não era eu, sem eu, porém alguém
Que de tanto se ocultar acabou por tornar são
Das coisas quiçá oferecidas à outrem

Me sentindo assim percebo, que nada daquilo dantes notado
Fazia mudar a ordem certa, em situações onde a ordem era a regra

De adestrado me tornei adestrante, de espectador me tornei protagonista,
de amado me tornei amante... Mas o vazio permanece, maior do que nunca

Que adianta continuar a representar mesmo sabendo que a farsa é passageira
e que de tão passageira se torna casual, que casual é a palavra do momento
Descompassada, descompromissante e descompromissada.

Escolhas nem sempre são sinceras, mas de mentiras tão sinceras seduzem,

e que no fim se resumem a um mesmo fim...

19 de agosto de 2008

Ela realmente entrou pela janela do banheiro.

e deitada naquele monte de pessoas
espalhada pelos azulejos
com pentelhos e bigodes na mesma mão,
ficou dançando,
(como quem sabe dançar)
sem saber que estava dançando.

Ninguém me contou
eu vi.

depois levantou


Depois foi embora.


Depois...
É, depois eu não sei o que ela fez


Eu precisava dela pra saber o final.

16 de agosto de 2008

Louco Pensamento... (ou Aquilo que Atormenta)

Louco pensamento...
E ainda achar que poderia ter alguma idéia...
Louco Pensamento...
Em acreditar em tudo o que se vê... Como sendo a única certeza...
Louco Pensamento..
Em ver o mundo de um jeito amarelo e vibrante...
Louco Pensamento...
Em ter tudo o que não quis na hora em que eu não precisava...
Louco Pensamento...
Ter motivo para fazer o inseperado...
Louco Pensamento...
Ver as pessoas com falsos sorrisos numa crença de ilusão...
Louco Pensamento...
Ter o controle de tudo o que se move...
Louco Pensamento...
Amar tudo o que não se pode e ter esperança nisso...
Louco Pensamento...

Em 18 de novembro de 2005

No Descompasso

Sempre que eu procurei não achei aquilo que queria
Achei coisas boas que se tornaram ruins quando mostradas a pessoas ruins
Ainda que tente, por mais que eu fale nunca vai voltar a ser da mesma maneira
Pois o descompasso típico dos que andam nas cordas me diz que é mais uma besteira pra se preocupar
As coisas começam a mudar quando se ve a transformação através dos corações
"As Grandes Coisas devem antes usar máscaras assustadoras afim de se fincarem nos corações dos homens"
Preciso de mais tempo pra tentar entender determinados comportamentos
Preciso de mais tempo pra compreender certas atitudes
O medo faz isso, de um modo a não deixar vestígios para os incautos
Quando se fala num modo de buscar a verdadeira razão
Impera todos os valores inúteis para a existência...
Acho que é só...

29 de janeiro de 2006

Bilingüe (minha boca na tua)


pra tu
tchu
tchu iu
fór mi
fór ti
pra ti.

um té
um tea
um ti
uam tchu tri.

tri
tree (tri)
bi (tchu)
be (é)

tchu bé

a
bá,
né?

Ultima desse ano.

Meu corpo é meu.
Meu é mim.
Mim quem sou?
O meu que falo
Esbraveja
Quando entra sem pedir
Que é sua
O corpo dela
É ela
Aquela que é seu
Que tenta ser eu
Mim não deixa
Mim é meu
E não dela
Mas ela
Na dela
Me escalpela
Me lembra
De quem sou eu.

15 de agosto de 2008

A arte da repressão

Plantarei aqui mesmo as três sementes, uma bem ao lado da outra, em triângulo.
Serão três grandes árvores.
Viverão abraçadas e terão que se amar, por força, pelo inevitável ou por conveniência, por todo sempre.


Provocação estética

(...)
A conversa congela. Ele diria algo profundamente espirituoso e interessante, mas pelas caretas está espantado. Diriam que vem algo ainda melhor.
- Tá ouvindo?
- Ouvindo o que?
- Ouvindo o barulhinho, tein, tein, tein. Forte e ritmado. Presta atenção.
A coisa ficou mística num estalo, e Dostoiévski não teve nada a ver com isso. Ficaria talvez até aborrecido, por se tratar de um russo e pela falta de solenidade do corte seco que sua obra mais importante levara.
- Que barulho, velho? Do que está falando?
Sobrava pouca credibilidade, teria que aproveitar bem o último acorde...
- Meu coracão, meu caro! Meu coração! Começou a funcionar de novo! Tou te dizendo, acho que estou apaixonado.
- Ahhh, vá se fuder. Tou indo nessa.

Entre três ou quatro

Porém me desfaço, despedaço ou desinteresso. Ainda que meu pedaço seja feito de aço nunca antes despeço.

Uma tacada, uma tragada, uma trepada.

Ouvi-la dizendo aquelas palavras duras me lembrou quem era justamente no mesmo instante.

Um gole, um torpe, um dote.

A reação mais insensata apareceu nos momentos mais incertos. Lembro que ainda deixo de esquecer o que fui, quando estava ainda, lá.

Vou voltar, vou lembrar, vou esquecer.

E assim a coisa se segue da mesma forma que planejei, mesmo sem ter planejado.

Um trocado, um recado, um regato.

Não me restam muito o que pensar, ainda tenho motivo e idéia. Mas nada é comparável a aquilo que se passa, ou trespassa.

Uma dança, uma lança, uma criança.

Volto até lá, um dia, uma hora. Um dia, quando tudo acabar você ainda estará lá, prestes a me derrubar. Coisas da Vida.

Uma passada, uma mudada, uma rodada.

Existem oito chances, de por um fim. Sobrevivi a sete, não tô disposto a conhecer a última chance.

O mundo dá voltas, adoidado! Quem eu vejo na mesa do lado, outrora dividiu um cigarro, um espaço, um alento.

À luz, que reluz e seduz.

Assim a memória, a mãe de todas as lembranças plausíveis me lembra de mais essa do qual julgava esquecer.

Vivo, vivaz, perspicaz, loquaz.

FuncioNADA

Prefiro curtir minha tosse crônica de cachorro do que sofrer do mal que acomete os incautos, a certeza de ter conquistado algo ou alguém.

E praquele que ousar dizer que já passou pela mesma situação, sou obrigado a discordar porque isso não é mais um dos males mundanos é reflexo de toda uma geração que acha que sofre, acha que ama e acha que tá escrevendo alguma coisa.

No fundo quem é o idiota sou eu, em aceitar tudo isso desse jeito pré-determinado e subentendido. Vão-se os anéis, ficam-se os dedos! Como se ainda ligasse pra alguma coisa...

Isso ainda vai me arrastar pra ruína, pra decadência, pra tudo aquilo que não existe de bom ou seguro. Porque é isso que sem métrica, nem ética, muito menos poética assim a coisa se torna ao menos épica.

Não pensando, lutando ou agindo. A coisa coisa coisando.

Vivendo, meditando, meditativo, altivo seria se fosse reflexivo.

Pensar ou agir ou pensar ou dizer ou escrever. O tempo passa, mas não passaria se fosse passado.

Ouvir ou sentir ou ainda agir dizendo.

Kerouac

"(...) ele era apenas um garotão tremendamente apaixonado pela vida e, mesmo sendo um vigarista, só trapaceava pporque tinha uma vontade enorme de viver e se envolver com pessoas que, de outra forma, não lhe dariam a mínima atenção(...)"

11 de agosto de 2008

Prostibulum Papalis

Vou te pecar pelos braços.

quem morreu hoje há tempos atrás?


O macaco olha de um lado pro outro.

de um lado pro outro
de um lado pro outro



pra baixo também.


aquela sua pata-quase-pé (por que não?)
escorrega no chão
da casa.
piso de madeira.
o macaco não gosta.
suas unhas fazem plac, plac,plac.

o gato chega.
não faz nada.

gatos nunca fazem nada
gatos deixam os idiotas enlouquecerem, pensando nas coisas que eles nunca vão fazer

Aqueles que não aguentam o silêncio.
Aqueles que não podem andar de madrugada.
porque suas patas também fazem plac,plac,plac

pula
o macaco
na mesa cheia de coisas.

enfia
a
mão.




cheio lá
dentro.

peixes
peixes
peixes peixes

peixes


não se sabe quem morreu primeiro.

peixe, macaco ou gato.

peixes morrem como uma cena de comédia.

gatos morrem como uma cena de Sófocles.

macacos pulam pro céu.
descobrem que não existe nada lá em cima
e morrem na queda.



Bodegón con aves muertas y mono. Parra Piquer.

10 de agosto de 2008

Pedido de pidão

Quero abrir teu peito
Pra massagear teu coração
com a minha mão.

9 de agosto de 2008

Restaurante

Procurei, mas não está no meu cardápio.
Não tenho direito á você.
Por isso que continuo vindo aqui.

8 de agosto de 2008

Metadiscurso

Você provoca que vai
Volta
Eu só sorrio
E rio
Sorrio
E rio
Sorrio
Sorrio
E sorrio
Sempre

I

O FANHO COM SUA ROUPA DE BANHO!

O
e
ae
?

FANHO faro fino

COM
ia
na corrida
pêéfão
dificil de engolir

SUA SUA
- Nem tanto Nem á pau que vou comer isso!
- É sua ainda
- Quando me der
- Não vou aceitar.
Nem fodendo.

ROUPA
que tiro
de cabeça pra baixo
pra cima.

DE
"Língua entre os dentes
boca fechada
um som estranho
na barriga. Característico"

BANHO
Num banheiro
que tenha tapete.
Senão não dá

7 de agosto de 2008

II

Nao, não consigo
nem pra agora
nem pra amanha
desculpem amigos, mas nao dá
meus dedos erram esse vazio vide verso
que enche meu coração.

30 de julho de 2008

Acorda amor

- Acorda, amor! Acorda!
Calma, calma, logo menos ele acorda.


- Acorda, amor! Amor? Acorde amor!



- Não vai acordar.
- Vai acordar!


- Amor? Amor? Amor? Acorde, Amor!



- Amor!
- Amor! Acorda... Acorda. Acorda ...

- Não está respirando. Não vai acordar.



- Amor!





- O amor está morto, e pelo jeito já faz tempo.

17 de julho de 2008

Você me pede
Que eu peça
Mais um r
Pra que vire
Pressa.
Com os cotovelos no balcão
Eu procuro nos bolsos
Entre os vãos da mão
Entre o vai não vai
De ir.
Já foi.
Procuro
Com o peso do sorriso largo
Os caninos ao sol
Procuro tempo e só acho temporal
Procuro vento, mas só tenho vendaval
na minha janela.
Três tiros de canhão
Com velas de cânhamo
Com três pregos no caixão.

Colores

O branco pobre
Com a preta rica
Dá uma cinza...
(mais ou menos).
O amarelo genial
Com o verde níquel
Faz pratas de fortuna
E todos pintam de vermelho
O castanho claro babylizado.
Aquele ruivo
Cuida por adoção
do marrom vadio
vestido de branco
(por precaução)
(ou preocupação).

11 de julho de 2008

O dia depois de anteontem

(...)

O velho Vinicius de Moraes dizia que pra se apaixonar basta estar distraído.
E se tem alguém que entende de amor, perdão para os Los Hermanos que são só garotos barbudos, esse cara é o Vinicius.

Você que também entende das coisas que me diga agora... Quem nessa vida não quer se apaixonar? Acho justo, pela condição. Não acha?

Apesar do clichê evidente só não deve ser bom ter pressa.
Como alguém pode se distrair tendo pressa? Não tem jeito.

(...)

9 de julho de 2008

Tédio

O tédio é terrível.
Uma pessoa entediada é um frasco vazio, que ganha nome do que colocarem dentro.

1 de julho de 2008

Quase perto

Sim, aconteceu finalmente, estou completamente apaixonado.
Conheço por hora pouco do que é dela, as variações de seu nome, a cor exata dos seus olhos ou cabelos.
Mas estou completamente apaixonado.
Não vejo a hora de descobrir seus gostos, suas coisinhas, suas memórias, seu passado que não tem nada de meu, suas manhas de amor.
Meu novo grande amor sem rosto por certo não vai gostar de cigarro, de atraso e de sapato sujo, mas isso não tem jeito, vamos certamente nos entender.
Ela, por ser a próxima, é a melhor das personagens que já vi, e conto as horas pra começar a construí-la.
Só falta definir o que é mais original, começar o texto pelo fim ou pelo começo.

14 de junho de 2008

Sensibilidade

Sensibilidade está perceber questões explícitas o suficiente ao ponto de não poderem ser ignoradas.

Dois gravetos

Somos dois completos quase-incompetentes, dois putos arrogantes e preguiçosos, gravetos da mesma árvore que está fadada a crescer ao contrário.

22 de maio de 2008

Trompete-cabeça

O homem tem um trompete na cabeça. Não na cabeça, mas no lugar dela.

Incrível, mas os pistos apertam-se sozinhos. Não é incrível?

Enfiado com a parte de soprar pra dentro da blusa, exatamente onde estaria uma cabeça, o trompete aponta pra cima quando ele está trabalhando, e o homem inclina o trompete-cabeça quando quer cochichar.

Seus conhecidos são todos magérrimos, esguios, sem roupa e sapatos ou sexo, altíssimos e de apenas olhos grandes e pretos arregalados em todo o rosto, e fazem círculo em volta e silêncio quando ele fala com entusiasmo.

Respostas

Queria poder querer procurar respostas pra comprar, daquelas rápidas, confusas e prontas pra usar.

Contato

Quando os olhares alinharam-se de maneira imprevista e profunda pela primeira vez confesso ter faltado ar. Procurei entre infinitas referências aquele algo único e especial, que deveria flutuar para ela entre os dois ou três segundos próximos, um combinado de palavras que de tão justo não haveria como substituir por nada que fosse dito com calma depois.

O não verbal da mistura de expectativas e sensações provável disse algo pela sua própria conta, de maneira imperativa, atravessando a casca até então firme.

Pessoas sabem de referências, de autores, de música, de generalidades, mas não é domínio de qualquer ser humano a faculdade de construir deliberadamente a mensagem de um contato intenso de olhos, a troca perto do sobrenatural onde é possível tocar por um instante, mesmo que com a pontinha do indicador, as águas claras das profundezas do vivo.

13 de maio de 2008

um itálico
se faz de são.
cambaleia. .. .
chega a tocar o chão. ... . ..
mas
n
ã
o

cai.



Não cai?



Não.
Nunca?
Não.

ANO ZERO

Com as poucas palavras que se espremem para sobreviver ao espaço mínimo do meu vocabulário, tento escrever.
No entanto, num misto de rejeição, vazio e maldade (aqui encarado como algo natural, próprio da natureza caótica e inconsequente de tudo o que é sensível), esssas pequenas tentativas de se manifestar não encontram refúgio, nem auto-estima suficiente para concentrar forças a ponto de esboçar ou sugerir algo que realmente valha a pena. No meu caso, que valha a tinta.
Não tenho medo de escrever bobagem - ao contrário.
Me surpreenderia se, por acaso, esse amontoado de rabiscos traduzissem o que se passa no meu estômago.
( Morte ao coração!)

Inicial

Ando neste tempo novo conhecendo, discutindo forte e falando conclusões temporárias como verdades absolutas pra pessoas que acabei de conhecer.